domingo, 4 de maio de 2008

Solidões

Domingo.
Dia da família. É o que dizem.
Tendo, durante 14 anos, 6 meses, 19 dias e 2 horas (e alguns minutos...) um marido enfermeiro, coleccionador/negociante de discos, manager de várias bandas e radialista, ela está mais que habituada a passar os domingos apenas com os filhos, como noutro dia qualquer.
Divorciada há seis dias, este é o primeiro domingo que passa sozinha com os filhos, na condição de família monoparental.
A sensação é a mesma.
Viver com e para eles.
Apenas com um ligeiro pormenor: ela não espera nada dele, telefone ou não, que venha almoçar ou não, que venha jantar ou não...
A solidão é a mesma.
Correcção: não é a mesma, não! Agora, ela sente-se sozinha, apenas sozinha e não abandonada!

sábado, 3 de maio de 2008

Flashback 4

18 de Janeiro de 2006

Esperar que ele me fale.
Esperar que ele se abra.
Esperar ouvir os sentimentos dele.
Esperar…
Esperar…
Esperar…
Todos os meus amigos me dizem para esperar, ter calma, não fazer nada precipitado, tudo calmamente…
Pensar no que de bom tenho.
Pensar no que iria perder.
Pensar…
Pensar…
Não tenho feito nada mais que esperar.
Não tenho feito nada mais que pensar.
Não tenho feito nada mais que …
Nada!
Não faço nada!
Mas sinto
Sinto
Sinto
Sinto
Sinto
sinto e
dói
dói
dói
dói
dói!
Hoje lembrei-me do que fiz quando soube o resultado da TAC: dobrei o pijama dele com todo o amor e carinho e cheirei-o.

Inalei profundamente o cheiro do meu homem para ter um bocadinho dele.
Inalei as moléculas do meu homem que ficaram agarradas ao tecido.
Fiquei com o meu homem dentro de mim.

Fundi-me com as moléculas do meu homem…
O meu homem…
as moléculas dele…
as células mortas da pele dele…
restos dele.

Porque não me restava nada dele.
Porque ele estava em casa de outra.
Porque ele estava com outra…
Porque ele não estava comigo…

Hoje pensei no que fiz quando soube o resultado da TAC chorei!
Hoje chorei!

Flashback 3

O dia mais difícil da vida dela, até agora: o dia em que ELA, ela como se conhecia, morreu...


10 de Janeiro de 2006

Dia 5, às duas da manhã R. telefonou-me a dar a novidade feliz: Não tinha nenhum problema no cérebro, não tinha nenhum tumor!
Chorei de alegria. Mas ele não vinha a casa, dormiria no Hospital, na cama 3, pois era tarde e, no dia seguinte, iria fazer o turno da manhã e estava muito cansado. Entendi. Triste, mas entendi...

Dia 5, à hora de almoço recebi um telefonema da C. que queria saber o número de telefone da mãe de R., pois ele tinha-lhe dito que ia dormir em casa da mãe e iria de manhã ter com ela, C.

Estranho, muito estranho, a mim, disse que iria dormir no Hospital, à amiga, disse que seria em casa da mãe... é possível haver uma explicação!

Dia 5, pelas 13h, R. telefona-me indignado, pois porque que razão tinha eu telefonado para o Hospital à sua procura (não tinha sido eu, mas sim C., mas ele não sabia...). Nesse telefonema, R. meteu as mãos pelos pés ao tentar explicar-me porque às 20 h da véspera tinha combinado uma coisa com C. e às 2 da madrugada tinha-me dito outra coisa... Afirmou então que tinha dormido em casa da mãe!... Eu já sabia que não!

Saí do trabalho e fui ter com ele. Depois de muita insistência, admitiu que foi dormir a casa de uma amiga. (??????????)

No dia em que descobre que não tem um tumor na cabeça vai dormir a casa de uma amiga????? Não partilha a alegria com a esposa????

Que amiga, meu Deus? NÃO INTERESSA, diz ele, dezenas de vezes!

Afinal, apenas tinha ido dormir a casa da S., onde já tinha dormido muitas vezes! E não só em casa de S., mas já tinha ido dormir várias vezes a casa de C. E eu sempre a pensar que ele estaria a fazer o turno da noite ou a dormir em casa da mãe... Mentiras, tantas mentiras!

Quase a certeza que ele me trai!
Uma amiga…
Está a lanchar com uma amiga… não interessa quem é,
mas depois é S. ...
Está a falar com uma amiga e não pode atender o tmv,
mas depois é a S. …
Acho que S. nesta altura é o seu bode expiatório...

Dizer-me que eu tenho que entender que, uma vez que quando me conheceu ele era “virgenzíssimo” e que agora tenha necessidade de conhecer mulheres…

Andar a tomar banho todos os dias (coisa que não fazia!)...

E agora isto…

Sem explicação, qualquer explicação, ZERO!


Morreu qualquer coisa dentro de mim,
o meu coração está partido,
em muitos pedaços!

Eu sei que sou chata.
Mas afinal, porque continua ele casado comigo quando tem tanta necessidade de conhecer mulheres?
De ter tantas amigas?
Porquê?
Isto não é justo para mim.
Eu só fui a mulher dele nos dois primeiros anos…
Afinal, em todos os outros ele andou a conhecer
(em sentido bíblico, não sei) outras mulheres!

Está a ser muito DURO, muito DURO.
E ainda mais difícil,
é ele saber que estou magoada
e nem um pedido de desculpa,
nem uma justificação…
nada…
indiferença total.

Ele diz-me para eu fazer o que eu quiser,
para ele é-lhe indiferente,
divorciar-me,
continuar,
arranjar um amante…
tudo lhe é indiferente!

Estou em sofrimento…
Estou de luto,
é isso!!!
Estou de luto pelo meu amor.


CONTINUO DE LUTO,
MAS AGORA
DE CABEÇA ERGUIDA!

Flashback 2

2 de Janeiro de 2006

Espaço matrimonial

O que é ter espaço?
O que é pedido, na verdade, num pedido de espaço?
O que, no fundo se quer?
Gajas, claro.
Quer-se gajas.
Ou gajos… também pode ser.
A gaja que está casada connosco já não dá tusa. A melga da esposa controladora!
Um gajo quer-se divertir. Um gajo ainda é novo…. (Sublinhe-se o AINDA!) mas o tempo passa, está a passar….
Neste momento, já se está mais velho ou velha… e o gajo que está connosco já não tem a chama que tinha.
O que se passa na cabeça do man? Que quer ele?
E porque não abre ele o coração?
Tudo seria mais justo se houvesse honestidade dos sentimentos ...


Será isto o espaço que ele quer?

O meu coração está aos pulos.
Não sei o que pensar.
Mas sei o que estou a sentir: angústia!
Mandei 1 sms ao R. às 16:50, apenas para ver se ele estava bem, se já tinha o TAC marcado para ver se a dor de cabeça era algo de grave ou não.
Às 17:50 voltei a mandar outro.
Ele está bem? Não respondeu a nenhum... São 18.

Afinal ele estava bem, não tinha nenhuma dor de cabeça e ainda não tinha conseguido fazer o TAC.
À pergunta porque não me não respondeu aos sms, pelo menos a dizer que estava bem, que estava vivo, a dizer, "deslarga-me", ele apenas disse:

Não respondi porque não me apeteceu!


Pergunta feita hoje:
É isto gostar de alguém?´
é saber que a esposa está aflita, com medo de ele estar muito doente, ou até mesmo morto (eu sei que estava a exagerar na preocupação!), e não responde a fim de a relaxar?
É isso gostar?

Não, não é...

Flashback 1

Ao que parece fazer ela tem que fazer o luto...

Num velório, a viúva relembra com dor os momentos bem passados.

Neste luto, ela relembra com dor os momentos que a magoaram.

Ao olhar para trás, há alguns flashbacks que teimam em aparecer.

Eis uns dos primeiros momentos que iniciaram a bola de neve que terminou agora na dissolução do instituido pela lei, mas que já estava morto, talvez, há dois anos, ou mais:

21 de Dezembro de 2005

Final do 1º período.
Balanço estranho.
Escola estranha.
Miúdos estranhos.
Ando diferente, já não me reconheço. Nada tranquila!
Sou um vulcão de emoções, umas negativas, outras positivas. Pareço uma montanha russa.

1º facto:
Tudo começou com um divórcio que me abalou: M. assinou o divórcio, porque o marido traiu-a durante CINCO (!) anos com a mesma amante: a vida dupla a que isso obriga, as mentiras constantes, cinco anos. Imperdoável. Como é possível conseguir este feito e a mulher não perceber? Como?
Toda esta história expôs as minhas fragilidades interiores, todos os medos de ser traída acordaram, passei a ser povoada de fantasmas.

2º facto:
No dia 4 de Outubro, R. enviou-me, por engano, um sms: um convite seu para lanchar. O que seria de todo impossível para mim. Perante a situação, ele negou que o sms seria para outra pessoa e “jurou” que era para mim. À noite, depois de muita insistência da minha parte, ele diz que era para S. Justificação aceitável. Mas, porquê tanta recusa em dizê-lo? Seria mesmo para ela?

3º facto:
Há uns dias, não sei precisar a data, encontrei um cabelo comprido na nossa cama, do lado de R. ao nível das pernas. OK OK OK Pode haver milhões de explicações. Ele mandou-me a um psiquiatra!

4º facto:
Domingo, dia 11 de Dezembro, depois de QUATRO (!) noites sem dormir em casa, devido a vários concertos no Norte, ele vinha a casa almoçar, porque a banda tinha que entregar a carrinha às 14 em Lx e ele vinha de boleia com eles. Mas, às 17horas, ainda não tinha chegado e tinha o telemóvel desligado (ou sem bateria) e NÃO AVISOU nada! Fui para Cbr, a fim de verificar se o carro dele ainda estava na estação, porque pensei o pior: a carrinha tinha tido um acidente e ele estava ou morto ou bastante doente para não poder avisar a família que algo se tinha passado.
Afinal, parece que a carrinha avariou e eles estiveram muito tempo à espera de socorro.
Mas, nesta história toda, há coisas que não batem certo:
A hora de saída de Braga,
a hora da avaria,
a impossibilidade de telefonar de um tmv,
a não paragem numa estação de serviço,
mas depois já tinha parado para comer qualquer coisa e não havia telefones públicos de moedas ?!!!
Como é possível não avisar perante um atraso de 6 horas?

5º facto:
Na 2ª, dia 12, ele lanchou com uma colega, cuja identidade esteve envolta de secretismo. Admitiu depois que era S. Mais uma vez a dúvida persiste: porque não o disse logo?

6º facto:
Dia 13, depois de um jantar de “reconciliação”, ele disse que EU tinha que ENTENDER que ele PRECISAVA de conhecer novas mulheres, porque era “virgenzíssimo” quando me conheceu. Eu não necessito de conhecer novos homens, porque tenho o melhor...

7º facto:
Toda a semana tentei conversar e todas as conversas deram para o torto, acabando por discutirmos.

Pergunta: Ele ama-me ainda? Ainda lhe sou importante?

Estou num turbilhão.
Eu gostava mesmo que ele me dissesse que está casado comigo,
não por não ter espaço para os discos,
não pelos miúdos,
mas por MIM.
Ainda por MIM!
Que eu ainda valho a pena.

O que mudou em mim?
Facto: mudei de escola;
Facto: tive um início assustador, pois foi a 1ª vez que tive 11º ano;
Facto: perdi a companhia e a conversa de duas amigas, C. e P. e a de D. embora a conversa com ele fosse apenas de motas;
Facto
: deixei de andar de comboio e isto deve ser o que mais me afectou. Tenho que conduzir, não tenho ninguém com quem conversar e não posso dormir. Solidão. Este ano sofro de solidão!!
Tenho 50 minutos matinais e vespertinos para alimentar fantasmas;
Facto: estou em dúvidas a nível profissional, os meus alunos não me respeitam;
Facto: não estou feliz!

EU estou SÓ! É isso: Solidão.
Estou só na escola;
Estou só na sala de aula, absolutamente só;
Estou só na viagem! Só no carro ou na mota!
Estou só em casa! Só!
Durmo só!
Sinto-me só! Solidão absoluta!
Solidão rodeada de uma multidão. Mesmo quando R. está, eu estou só!
Eu sou SÓ! Solidão!!!!!!!!!

O mundo parece-me vazio, o meu coração está vazio, a minha alma está vazia!
No entanto, ainda tenho pais vivos e saudáveis.
Os meus filhos são saudáveis.
Tenho trabalho.
Tenho casa.
Tenho comida.
Posso comprar livros, ir ao cinema, jantar fora. Estou a ser egoísta!

Eu sei que R. não pode sofrer com a minha insegurança, não é ele o culpado de a minha colega ter sido traída.
Não é ele o culpado da minha vida profissional não estar nada bem…
Mas, parece-me que não sou importante para ele.
Eu não me sinto amada. Não me sinto especial. Todas as mulheres são melhores que eu, todas são enigmáticas e lindas e interessantes. Ele sabe tudo de mim. Eu não sei nada dele. Eu estou feia quando ele chega a casa… já trabalhei, já fiz o jantar e… merda… que vida!
Toda a minha vida material está assegurada.
Toda a minha vida emocional está uma confusão!

Vou? Fico? Mudo? Mantenho?

Vinte anos…

Filhos…

Não consigo pensar…

Eu tenho que deixar R. voar! Mas deixar voar mesmo!
Mas, e se depois ele voa e não volta?
Se calhar é mesmo melhor fazer isso, porque isto assim não vale a pena.
Estar casada assim,… continuar tudo na mesma é uma merda, não vale a pena lutar!
Estou cansada de lutar, cansada, muito cansada!

Vou desistir: Ele que voe! Que faço eu, então? Nada?
Como vou conseguir não fazer perguntas?
Como vou conseguir saber que ele gosta de estar (a conversar, por enquanto!) com mulheres e eu em casa?
Como vou conseguir? Como?
Assim, não vale a pena! Assim não!

Eu quero estar com alguém que queira estar comigo e não com alguém que seja obrigado a estar comigo. E é isso que eu queria que ele decidisse esta semana. É isso que eu queria ouvir. Mas, se calhar, ele também tem dúvidas.
Assim, o mais inteligente será: deixar voar!
Mas,

Deixar voar e eu fora?
ou
quê??


quinta-feira, 1 de maio de 2008

Uma questão de orgulho

Já há uns posts atrás ela referiu que deixou de cuidar da roupa do então ainda marido.

O divórcio consumou-se no dia 28. Ele vai ter que sair de casa.

Mas, ela não lhe vai dar o prazer de se queixar (eventualmente...) que ia com a roupa suja e/ou engelhada. Então, ela vai tratar da roupa dele, pela última vez.
E vai ser com orgulho que lha vai entregar impecável!

Só uma nota: São 10 camisolas de lã, 15 camisas, 13 t-shirts, 4 pares de calças e algumas camisolas interiores... nada que não se resolva, vejamos... em 2 ou 3 horas.

Cool

Palavra de técnico

Ela hoje teve mais uma confirmação de que nada errado se passa dentro da sua mente.

Desta vez a psicóloga confessou-lhe que há uns tempos valentes achou que considerava uma perda de tempo ela ter consultas de psicologia e medicamentos antidepressivos. A técnica de saúde era da opinião que "apenas" havia um problema conjugal de difícil solução.

Afinal, além de ela já saber que não tinha nenhum problema mental, ficou hoje a saber que também não é uma pessoa depressiva.

Afinal, e para seu orgulho, é uma pessoa combativa, lutadora e que tentou todos os meios ao seu alcance para tentar mudar uma relação que não a deixava feliz.
É isso.
Ela apenas era infeliz!

Mas, a luta continua! O povo para a rua!

Neste caso, quem vai para a rua é o seu já EX marido... heheheh